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FONTE: BRASIL 247 | 07/06/2026
Incêndio no Pantanal (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil) (Fonte: Brasil 247 )
A principal preocupação do governo está concentrada no último trimestre do ano. Nesse período, a combinação entre estiagem prolongada e temperaturas elevadas pode favorecer o agravamento dos focos de incêndio, especialmente em áreas já vulneráveis.
O secretário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Lima, destacou a necessidade de preparação antecipada para enfrentar o cenário previsto.
“Se vier mais forte, o impacto do El Niño vai ser uma estiagem mais prolongada, o que agrava a situação lá pra outubro e novembro. Temos seis meses de preparação para esse período mais crítico”, afirmou.
Apesar das projeções, o Cemaden ressalta que a intensidade do El Niño não determina, necessariamente, a gravidade de seus efeitos. Eventos classificados como moderados já provocaram impactos significativos no passado recente. Em 2024, por exemplo, fortes chuvas atingiram o Rio Grande do Sul, enquanto o país enfrentou a pior seca em sete décadas, com mais de 80% dos municípios registrando condições de estiagem.
Durante as reuniões técnicas, especialistas enfatizaram que medidas preventivas são fundamentais para reduzir prejuízos econômicos e evitar perdas humanas. Como resposta, o governo federal vem ampliando a estrutura de combate aos incêndios florestais.
Entre as ações previstas para 2026 está o aumento do contingente de brigadistas federais. Ao todo, serão 4.385 profissionais mobilizados, sendo 2.600 vinculados ao Ibama e 1.785 ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O número representa um crescimento de 26% em relação a 2024.
Outra medida envolve a ampliação do alcance do Fundo Amazônia, que passará a financiar iniciativas de prevenção e combate ao fogo também em outros biomas brasileiros, incluindo Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões destinados aos Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal.
O Ibama também planeja instalar ao menos seis bases avançadas em áreas consideradas estratégicas, como Amazônia, Pantanal e Matopiba. A proposta é ampliar a capacidade de resposta rápida, utilizando aeronaves e brigadas em regiões com maior incidência de incêndios.
Segundo André Lima, a atuação federal será concentrada prioritariamente em territórios sob responsabilidade da União, como parques nacionais, terras indígenas e assentamentos, além dos chamados mega incêndios.
“A prioridade do governo federal é fazer o primeiro ataque nas áreas federais e depois reforçar nas áreas onde os corpos de bombeiros os estados, os municípios não derem conta. Então os municípios, por exemplo, também estão começando a receber apoio do governo federal para se prepararem para ações de prevenção e controle. Foram R$ 30 milhões destinados a quase 30 municípios que cobrem áreas muito importantes de combate a incêndio para eles também se equiparem e elaborarem seu planejamento”, explicou.
O secretário também destacou que o enfrentamento das queimadas exige participação conjunta dos diferentes níveis de governo e do setor privado, conforme estabelece a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, implementada em 2024.
“Não é o governo federal que vai apagar o fogo do Brasil inteiro. Isso não existe”, pontuou.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgou, em maio, uma nota técnica orientando gestores locais sobre medidas de preparação diante dos possíveis impactos climáticos associados ao El Niño.
No documento, o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, chama atenção para a necessidade de planejamento antecipado por parte das administrações municipais.
“Verifica-se, ao longo da última década, a persistência de fragilidades na estrutura nacional de prevenção e resposta”, afirmou.
Levantamento da CNM mostra que os desastres naturais causaram prejuízos de R$ 785,4 bilhões no Brasil entre 2013 e 2025. No período, 95,1% dos municípios brasileiros registraram algum tipo de impacto relacionado a eventos climáticos extremos, com danos à infraestrutura, moradias, serviços públicos, atividades econômicas e à população.
As projeções indicam que as regiões Norte e Nordeste poderão enfrentar redução das chuvas e temperaturas acima da média, aumentando o risco de estiagens prolongadas e problemas relacionados à segurança hídrica.
Já no Sudeste e Centro-Oeste, a preocupação está voltada para possíveis alterações no regime de chuvas, o que pode dificultar a recuperação dos reservatórios e elevar os riscos hidrológicos.
Além disso, especialistas alertam para a possibilidade de novas ondas de calor. Os anos de 2023, 2024 e 2025 foram os mais quentes já registrados globalmente e também apresentaram recordes de episódios de calor extremo no Brasil. O El Niño tende a aumentar a probabilidade desses eventos, criando condições ainda mais favoráveis à propagação de incêndios florestais.
A sala de situação coordenada pela Casa Civil reúne 13 órgãos federais e realiza encontros mensais para acompanhar a evolução do fenômeno. A próxima reunião deverá ocorrer na última semana de junho, quando novas projeções climáticas serão apresentadas com maior grau de precisão. Especialistas ressaltam, entretanto, que ainda não é possível determinar com segurança a intensidade final do evento, já que cada episódio de El Niño apresenta características próprias e nem sempre segue os padrões observados em anos anteriores.